A Represa das Quatro Pilastras: Um Coração Histórico e Funcional da UFV.

09 de fevereiro de 2026

A Represa das Quatro Pilastras: Um Coração Histórico e Funcional da UFV

Em celebração ao centenário da Universidade Federal de Viçosa (UFV), a AMD Negócios Imobiliários tem o prazer de compartilhar uma série de conteúdos que exploram os marcos e as memórias desta instituição centenária. Ao longo de um século de existência, a UFV consolidou-se como um pilar de conhecimento e inovação no Brasil. Como parte desta série em comemoração aos 100 anos da UFV, mergulhamos hoje em um dos símbolos mais emblemáticos do campus: a Represa das Quatro Pilastras. Mais do que um espelho d'água paisagístico, essa represa e as estruturas que a circundam são marcos fundamentais que narram os primórdios e o desenvolvimento da instituição, desde sua fundação como Escola Superior de Agricultura e Veterinária (ESAV).

O Nascimento de um Campus e a Necessidade de Infraestrutura

A história da Represa das Quatro Pilastras se entrelaça com o projeto visionário de implantação da ESAV. Fundada em 1922, a Escola demandava uma infraestrutura robusta e moderna para suas atividades acadêmicas e de pesquisa. Para isso, foram adquiridos 453 hectares de terra, a um custo de 294:800$000 réis, que constituíram o embrião do atual campus da UFV. As obras de construção tiveram início em 10 de julho de 1922, sob a liderança do engenheiro-chefe João Carlos Bello Lisboa [1].

Esse período foi marcado por desafios consideráveis, como a escassez de mão de obra qualificada e as dificuldades logísticas para aquisição e transporte de materiais, comuns em grandes empreendimentos da época no interior do país.

Transformando o Curso D'Água: O Córrego São Bartolomeu

O campus da UFV é naturalmente atravessado pelo Córrego São Bartolomeu. Para viabilizar o ambicioso projeto arquitetônico da universidade, foi essencial retificar o curso natural desse ribeirão. Uma das intervenções mais significativas foi a construção de um bueiro em frente às Quatro Pilastras. Essa obra não apenas facilitou a conexão entre o campus nascente e a cidade de Viçosa, mas também permitiu o aterro necessário que, posteriormente, daria origem à Avenida P. H. Rolfs, a importante via que hoje margeia a represa [2]. A represa, portanto, foi concebida como parte integrante desse manejo hídrico, com a função de controlar o fluxo do córrego e harmonizar-se esteticamente com o novo layout do campus.

As Quatro Pilastras: Símbolo e Legado Educacional

A entrada principal do campus, majestosamente ladeada pela represa, é inconfundível devido às Quatro Pilastras. Cada uma delas ostenta uma palavra que compõe o lema atemporal da UFV:

  • "Ediscere" (Estudar)

  • "Scire" (Saber)

  • "Agere" (Agir)

  • "Vincere" (Vencer)

As iniciais dessas palavras formam a sigla "ESAV", uma homenagem perene à Escola Superior de Agricultura e Veterinária. A inspiração para o design e a profunda simbologia dessas pilastras veio da Universidade Purdue, uma parceira de longa data da UFV nos Estados Unidos [3]. Esse legado simbólico é tão forte que foi replicado nos campi de Rio Paranaíba e Florestal, ressaltando sua importância cultural e histórica para a instituição.

Detalhes da Construção: Mão de Obra, Desaterro e Contenção

Embora registros específicos sobre o número exato de trabalhadores exclusivamente na construção da represa sejam escassos, o contexto geral das obras do campus da ESAV nos dá uma imagem clara. A construção empregou um grande número de operários, muitos dos quais eram analfabetos. Em um esforço notável para a época, a instituição implementou aulas noturnas de alfabetização. Estima-se que, no início das obras em 1922, mais de 80% dos operários eram analfabetos, um número que caiu para menos de 10% em 1926, evidenciando o impacto social e educacional do projeto [1].

O trabalho de desaterro e movimentação de terra para a criação da bacia da represa e o aterro da Avenida P. H. Rolfs foi um empreendimento de grande escala. As técnicas empregadas, condizentes com a tecnologia da década de 1920, dependiam fortemente de:

  • Ferramentas manuais: Pás, enxadas, picaretas e marretas eram os instrumentos primários para escavação.

  • Transporte por tração animal: O deslocamento de grandes volumes de terra era feito por carroças puxadas por bois ou cavalos, que eram a força motriz essencial para mover cargas pesadas em terrenos variados. Para distâncias mais curtas, carrinhos de mão eram amplamente utilizados.

Quanto à estrutura de contenção da represa, embora detalhes exatos não estejam explicitamente documentados, a prática comum para obras dessa magnitude no período aponta para uma barragem de terra compactada. Essa estrutura seria construída com camadas de terra e argila, compactadas para garantir impermeabilidade e estabilidade. Partes críticas da represa, como vertedouros ou sangradores, provavelmente utilizavam alvenaria de pedras ou tijolos com argamassa de cal e areia, oferecendo maior resistência à erosão e à pressão da água. A durabilidade da represa até os dias atuais é um testemunho da solidez das técnicas e do trabalho empregado.

Além da Represa das Quatro Pilastras: Outros Corpos D'Água no Campus

A UFV não se restringe a uma única represa. O campus abriga outras represas que desempenham funções diversas, como apoio a pesquisas, irrigação de áreas agrícolas e espaços de lazer. Esses corpos d'água são cruciais para as atividades acadêmicas e a manutenção dos ecossistemas locais, reforçando o compromisso da UFV com a sustentabilidade e a integração da ciência com o ambiente natural [1].

Um Legado Duradouro do Centenário

A construção da Represa das Quatro Pilastras e de toda a infraestrutura associada representou uma visão progressista para sua época, equilibrando o desenvolvimento funcional de uma universidade com a preservação e o manejo ambiental. Elas não são apenas elementos paisagísticos; são símbolos vivos da história, da identidade e dos valores que moldaram e continuam a moldar a Universidade Federal de Viçosa, um legado que celebramos em seu centenário.


Referências:

  1. Vista parcial das Quatro Pilastras. Locus UFV. Disponível em: http://www.ufv.br/handle/123456789/6553{target="_blank"}

  2. Construção do bueiro situado em frente às Quatro Pilastras. Locus UFV. Disponível em: http://www.ufv.br/handle/123456789/10891{target="_blank"}

  3. Quatro Pilastras. UFV-ATOM. Disponível em: https://atom.ufv.br/index.php/quatro-pilastras{target="_blank"}

 


 

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O Baile de Gala da UFV: Um Século de Tradição, Celebração e Legado Emocionante

29 de janeiro de 2026

 



O Baile de Gala da UFV: Um Século de Tradição, Celebração e Legado Emocionante

VIÇOSA, MG – Mais do que uma simples festa de formatura, o Baile de Gala da Universidade Federal de Viçosa (UFV) se consolidou ao longo de décadas como um dos eventos mais emblemáticos e esperados do calendário acadêmico brasileiro. Com quase um século de história, esta celebração transcende o adeus à vida universitária, marcando a continuidade de uma tradição que reflete a própria identidade da UFV.

As Primeiras Notas de uma Tradição Decenal

A história do Baile de Gala na UFV é tão antiga quanto a própria instituição, que teve sua fundação em 1926 como Escola Superior de Agricultura e Veterinária (Esav). Embora os registros específicos do "primeiro baile" se misturem à história rica da universidade, evidências fotográficas do Salão Nobre da Esav já documentam a realização de bailes festivos desde a década de 1930. Isso demonstra que o espírito de celebração e congregação já era uma parte intrínseca da vida universitária em Viçosa.

Um dos primeiros indícios dessa cultura festiva foi a "Marcha Nico Lopes", criada em 1929, uma manifestação que unia estudantes em desfiles e festas. A formalização desse espírito veio em 1935, com a fundação da Associação dos Ex-Alunos (AEA). A AEA não só buscava manter os laços dos ex-estudantes com a universidade, mas também organizava o agora tradicional "Baile dos Ex-Alunos", que se tornou um pilar das comemorações. São, portanto, mais de nove décadas de uma tradição que se reinventa a cada ano.

2015: O Ano do Recorde Absoluto e da Grandiosidade

A magnitude do Baile de Gala da UFV atingiu seu ápice em janeiro de 2015, um ano que entrou para a história como o detentor do recorde de participação. A celebração conjunta dos Centros de Ciências Biológicas e da Saúde e de Ciências Humanas, Letras e Artes reuniu um público impressionante de aproximadamente 5.000 pessoas no Centro de Vivência da UFV.

Para acolher e atender a essa multidão de formandos, familiares e amigos, a organização mobilizou uma verdadeira força-tarefa. Cerca de 600 profissionais estiveram envolvidos na execução impecável do evento, desde cerimonialistas e seguranças até garçons e equipes de infraestrutura. Esse número, que pode chegar a bem mais de mil pessoas envolvidas no trabalho indireto, demonstra a complexidade e o impacto logístico que um evento de tamanha proporção representa.

2026: O Centenário da UFV e a Promessa de um Baile Inesquecível

O ano de 2026 é duplamente histórico para a UFV e para o Baile de Gala. A universidade celebra seu centenário, e os bailes de formatura prometem ser um dos pontos altos dessas comemorações. A expectativa é que sejam eventos memoráveis, marcados pela grandiosidade e pelo simbolismo de 100 anos de história.

Para acomodar os diversos centros acadêmicos e garantir a festa de todos os formandos, os Bailes de Gala de janeiro de 2026 foram divididos em duas datas, ambos realizados no Espaço Multiuso da UFV:

  • 24 de janeiro de 2026: Dedicado aos formandos dos Centros de Ciências Biológicas e da Saúde (CCB) e de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCH). A expectativa é de um público considerável, com ingressos individuais a R$ 610,00 e infantis a R$ 320,00.

  • 31 de janeiro de 2026: Reservado aos formandos dos Centros de Ciências Agrárias (CCA) e de Ciências Exatas e Tecnológicas (CCE). Os valores dos ingressos são os mesmos do primeiro baile.

A estimativa para cada um desses bailes é de um público variando entre 2.000 e 3.000 pessoas, considerando a tradicional participação de familiares e amigos por formando. Além dos bailes, a programação do centenário é vasta, incluindo churrascos, cultos ecumênicos e as solenes colações de grau, consolidando uma semana de celebrações que promete superar as expectativas de engajamento e significado cultural.

Um Legado que Transcende o Campus

A importância do Baile de Gala da UFV é tão profunda que, em outubro de 2023, o Baile dos Ex-Alunos foi oficialmente declarado Patrimônio Histórico-Cultural Imaterial do Município de Viçosa. Esse reconhecimento ressalta não apenas a relevância do evento para a universidade, mas também seu papel na preservação das tradições e na promoção da cultura local, com um impacto econômico significativo para a cidade.

Outra tradição emocionante é o Plantio da Árvore da Turma, iniciado em 1931. Este ato simboliza o crescimento e a contribuição de cada geração de estudantes, deixando um legado vivo no campus e reforçando o vínculo dos formandos com a instituição e a natureza.

Em 2026, com o centenário, o Baile de Gala da UFV reafirma seu status não apenas como uma celebração de formatura, mas como um evento que consolida a identidade da universidade, celebra suas conquistas e projeta seus estudantes para um futuro promissor, sempre enraizados nas tradições que a tornam única. A contagem regressiva para esses bailes históricos já começou!

Foto: Acervo AMD

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